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João Calábria nasceu em Verona – Itália – no dia 8 de outubro de 1873. Órfão de pai, viveu a infância e a adolescência na extrema pobreza. Foi obrigado a interromper duas vezes os estudos para conseguir o sustento de sua família. A graça de Deus, as humilhações e muitas outras dificuldades contribuíram para criar nele um espírito de fé e de abandono à divina Providência. O amor e a fé de sua mãe contribuíram para seu crescimento sereno e altruísta, nas imensas dificuldades iniciais.

Ajudado e preparado por um amigo sacerdote, foi admitido, como aluno externo, no seminário de Verona. Logo, porém, foi chamado para o serviço militar, onde, por dois anos, exerceu um intenso apostolado de caridade, distinguido-se, sobretudo, no cuidado com os doentes e na atitude heróica de oferecer-se espontaneamente para assistir os soldados acometidos de tifo.
Seu diretor espiritual, Pe. Natal de Jesus, um carmelita descalço, cedo vislumbrou no jovem seminarista “um escolhido do Senhor com especial predileção”, para fundar “uma congregação de sacerdotes e irmãos de espírito apostólico...”
Retomando os estudos e chegando à ordenação sacerdotal, em 1901, apesar das responsabilidades e encargos perante a diocese de Verona, sempre teve tempo para multiplicar iniciativas, em favor de crianças desamparadas – suas prediletas.
Em 26 de novembro de 1907, em uma humilde casa emprestada, nascia a “Casa Buoni Fanciulli” (Bons Meninos), semente de toda a Obra de Pe. Calábria.
O zelo do seu coração e os apelos da situação multiplicaram o trabalho. A divina Providência, em quem depositava a mais absoluta confiança, deu-lhe naquele momento dois dons: o Conde Francisco Perez, um ilustre e rico advogado, que passou a ser um humilde e eficiente irmão religioso, e uma nova e ampla casa na Via S. Zeno in Monte, 23, Verona, para onde as crianças assistidas se transferiram em 6 de novembro de 1908. Esta casa continua sendo a casa Mãe da Congregação.
Com as crianças acolhidas, aumentou também o número de colaboradores, sacerdotes e irmãos. Em 1932, a “Casa Buoni Fanciulli” foi aprovada como “Congregação Pobres Servos da Divina Providência”. Pe. Calábria sempre desejou que a Obra formada por Sacerdotes, Irmãos e Irmãs fosse uma única árvore com vários ramos, uma única família com o mesmo carisma: viver o espírito de fé e confiança em Deus Pai, plenamente abandonados à divina Providência, sem nada pedir, não se apoiando em proteções humanas, vivendo em plenitude os ensinamentos do evangelho: “Procurai em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça e o resto vos será dado por acréscimo” (Mt 6,33).
Amplo foi o apostolado de Pe. Calábria: crianças, idosos, doentes, jovens vocacionados pobres (que formava nas suas casa e que, ao chegarem no final da Teologia, os deixava livres para escolher a diocese ou outra Congregação ou Ordem), sacerdotes em dificuldades pessoais, presidiários, irmãos separados na fé e uma multidão de almas à procura de luz, de conforto e de aconselhamento, que ele acolhia e com quem manteve uma vastíssima correspondência, mesmo nos seus contínuos momentos de sofrimentos e doença.
Almejava uma renovação e atualização da Igreja. Seus escritos e publicações tiveram influência na convocação do Concílio Vaticano II, pelo Papa João XXIII. Anteviu que tinha chegado o tempo dos leigos na Igreja e cooperou com palavras e escritos, para formá-los como cristãos integralmente evangélicos, e fundou a “Família dos Irmãos Externos” (leigos que em sua família e trabalho procuram viver o espírito da Congregação).
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